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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Fui-me

Finalmente férias!

Pensava em aproveitar ao máximo pra fazer posts decentes aqui e ler todos os blogs que eu acompanho, mas acabo de perceber que isso não vai acontecer.
Por quê?
Porque eu não tenho mais ânimo pra isso, especialmente quando meu cérebro está derretendo com o calor. Abro metade dos blogs atualizados e não leio nenhum. Abro o meu blog e não escrevo. Não é por falta de ideias, isso até tem, mas falta a vontade de parar e escrever. Se não fosse por meu triste vício em aplicativos do Facebook, na certa mal teria ligado o computador estes últimos dias.
Não achem que é má vontade, não é, é apenas uma questão de conforto. Tenho preferido assistir filmes e ler livros do que ir pra cá, não tenho mais ânimo pra isso. Como resultado disso, provavelmente haverá muitos posts de filmes e livros aqui quando eu voltar a ter ânimo, ou melhor, se voltar. Tinha pensado em programar um post ou outro pros dias que eu for viajar, mas se não consigo nem escrever pra um dia, imagina programar pra outros.
Certo, chega de enrolação. A verdade é que eu vou sumir daqui e de todo o resto por um tempo, pode ser uma semana ou um mês ou muito mais. Espero realmente não sumir permanentemente, mas não garanto nada.
Credo, quanto dramalhão! Culpa desse calor infernal que me impede de pensar direito! Eu vou, não sei quando volto, isso se eu volto. Não vou desejar feliz natal e feliz ano novo pra ninguém porque isso tá tão automático que já não tem mais sentido. Esse blog tá definhando há tempos, se bem que nem sei se algum dia ele foi pra frente, mas enfim...
Resumidamente: FUI-ME!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Cidadão Quem

Lendo um post do Blue sobre a dupla 'Pouca Vogal', formada por Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii) e Duca Leindecker (Cidadão Quem), percebi que, infelizmente, Duca e sua banda não tem o grande reconhecimento que tem o Humberto, pelo menos não nacionalmente. Então cá estou eu para trazer algo de útil para o blog e falar dessa baita banda gaúcha. (Sobre a dupla, 'Pouca Vogal', leiam o post do Blue, hoje só vou falar do 'Cidadão Quem' aqui.)
Acho que o 'Cidadão Quem' é uma das poucas bandas do rock gaúcho que vingou nos anos 90, ao contrário da década anterior, na qual, pode-se dizer, realmente surgiu o que é chamado de rock gaúcho, por ser diferente do resto do país, sem muito mistério, é apenas fidelidade ao velho rock, o que faz uma banda gaúcha ser facilmente identificada como tal. (Ignorem os frutos podres que surgiram aqui, ok? Nem tudo é perfeito...)
Mas voltemos à banda dos Leindecker, formada pelos irmãos Duca e Luciano. O nome da banda é uma clara referência ao filme 'Cidadão Kane' e surgiu no início de 1990, em Porto Alegre, tendo Cau Hafner na formação original, como baterista, ao lado dos irmãos Leindecker. Em 1991, a banda ficou entre as finalistas do Rock in Rio 2, ultrapassando mais de 300 bandas de todo o Brasil. Nos anos de 1993, 1998 e 1999, a banda foi escolhida a melhor banda gaúcha, recebendo o troféu Açorianos.
O primeiro CD, 'Outras Caras', lançado em 1993, vendeu mais de vinte mil cópias. O segundo CD, 'A lente azul', teve suas gravações iniciadas em São Paulo e finalizadas em Los Angeles, sendo lançado em 1996. Desse CD, a música 'Os segundos' entrou na trilha sonora de 'Malhação', da Rede Globo, e o clipe da música 'Balanço' foi lançado no MTV em 1997. Em novembro de 1998 foi lançado o CD 'Spermatozoon', que teve o clipe da música 'Um dia' lançado na MTV. O CD foi todo gravado em Porto Alegre e mixado e masterizado em Nova Iorque.
O ano de 1999 foi marcado por uma tragédia: o baterista Cau Hafner, um dia antes de completar 40 anos, morre em um acidente de paraquedas. A partir de então, Paula Nozzari assume as baquetas e, em 2000, a banda lança o CD 'Soma'. Dois anos depois, lançam o CD 'Girassóis da Rússia' e, em 7/07/2004, gravam o CD e DVD acústico da banda no Theatro São Pedro, com duas sessões que tiveram os ingressos esgotados 48 horas antes dos shows. Em 2007 a banda lançou o CD 'Sete' e atualmente está parada em função dos projetos individuais (tais como o 'Pouca Vogal' do Duca) e do tratamento de câncer de Luciano Leindecker. A mais recente formação da banda conta com os irmãos Leindecker, com Eduardo Bisogno, Fernando Peters e Claudio Mattos.
Se tu procurar, vai encontrar dois ou três vídeos da banda aqui no blog, mas vou postar mais 5, espero que nenhum repetido...

(Esse clip eu nunca tinha visto... Que engraçado o Duca de cabelo comprido...)

(O refrão dessa música é quase que um hino pros fãs da banda, e eu me incluo nesse grupo)
(Queri muito colocar essa música aqui, como não tinha clip, escolhi um do show que teve aqui em Caxias e eu fui, bom, na verdade eu fui na sesssão da 21h 30min, esse vídeo é da sessão aberta depois, para às 19h 30min, só por isso que vocês não veem meu cabeção ai na frente [sentei na 2ª fila])

Bah, foi dificl escolher quais música postar aqui, mas dei prioridade para as que estavam no texto. Ficou muita música boa de fora, deem uma procurada lá no YouTube que vocês encontram mais...

Links:

sábado, 19 de dezembro de 2009

10 coisas que sempre vão acontecer no 'Amigo Secreto'

Me parece a coisa mais estúpida esses amigos-secretos de hoje em dia, com preço fixo para os presentes, com listinha do que o seu amigo-secreto quer ganhar, com essa previsibilidade toda. Se eu quero o novo cd do Oswaldo Montenegro por 30 reais na loja tal, EU VOU LÁ e compro. Não preciso de um colega não-identificado para adquirir anonimamente o presente. Não sou da Al-Quaeda (apesar do novo cd do Oswaldo Montenegro ser uma BOMBA!).

10 coisas que sempre vão acontecer no amigo secreto:


1. Você vai ganhar um presente pior do que o que você comprou.

2. Alguém sempre vai dizer “Eu não conhecia essa pessoa muito bem mas andei pesquisaaaaaandoooo”.

3. A pergunta mais pensada e menos falada será sempre: “Dá pra trocar?”

4. Quanto maior a embalagem mais cobiçado é o presente, mesmo que seja uma tábua de passar roupa.

5. Alguém vai sempre dar uma desculpa pra não entregar o presente. Normalmente é a pessoa que pegou você.

6. Toda vez que alguém fala: “O meu amigo-secreto é uma pessoa muito legal” um babaca grita: “É EU!”.

7. Depois de participar, o babaca continuará gritando coisas como: “É bonito? Rá, eu já fui!” ou “Eu de novo?! hahahaha”

8. Alguém sempre falta e manda o presente por outra pessoa.

9. No meio do evento quem já ganhou presente começa a falar alto e a beber.

10. Alguém vai esquecer o presente no local da festa.

___________________

Essa é mais uma das belas e inteligentes conclusões de Marcos Piangers. Sem maiores explicações, ele é genial. Originalmente publicado no blog dele: Cala a boca, Piangers!. (Passem lá e deem uma bela olhada ana foto que ilustra o post, vale a pena)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Joquim - Vítor Ramil

Satolep
Noite
No meio de uma guerra civil
O luar na janela
Não deixava a baronesa dormir
A voz da voz de Caruso
Ecoava no teatro vazio
Aqui nessa hora é que ele nasceu
Segundo o que contaram pra mim

Joquim era o mais novo
Antes dele havia seis irmãos
Cresceu o filho bizarro
Com o bizarro dom da invenção
Louco, Joquim louco
O louco do chapéu azul
Todos falavam e todos sabiam
Quando o cara aprontava mais uma

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?

Muito cedo
Ele foi expulso de alguns colégios
E jurou: "Nessa lama eu não me afundo mais"
Reformou uma pequena oficina
Com a grana que ganhara
Vendendo velhas invenções
Levou pra lá seus livros, seus projetos
Sua cama e muitas roupas de lã
Sempre com frio, fazia de tudo
Pra matar esse inimigo invisível

A vida ia veloz nessa casa
No fim do fundo da América do Sul
O gênio e suas máquinas incríveis
Que nem mesmo Julio Verne sonhou
Os olhos do jovem profeta
Vendo coisas que só ontem fui ver
Uma eterna inquietude e virtuosa revolta
Conduziam o libertário

Dezembro de 1937
Uma noite antes de sair
Chamou a mulher e os filhos e disse:
"Se eu sumir procurem logo por mim"
E não sei bem onde foi
Só sei que teria gritado
A uma pequena multidão
"Ao porco tirano e sua lei hedionda
Nosso cuspe e o nosso desprezo!"

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?
No meio da madrugada, sozinho
Ele foi preso por homens estranhos
Embarcaram num navio escuro
E de manhã foram pra capital
Uns dias mais tarde, cansado e com frio
Joquim queria saber onde estava
E num ar de cigarros
De uns lábios de cobra, ele ouviu:
"Estás onde vais morrer"

Jogado numa cela obscura
Entre o começo do inferno e o fim do céu
Foi assim que depois de muitas histórias
A mulher enfim o encontrou
E ele ainda ficou ali por mais dois anos
Sempre um homem livre apesar da escravidão
As grades, o frio, mas novos projetos
Entre eles um avião

O mundo ardia na guerra
Quando Joquim louco saiu da prisão
Os guardas queimaram
Os projetos e os livros
E ele apenas riu, e se foi
Em Satolep alternou o trabalho
Com longas horas sob o sol
Num quarto de vidro no terraço da casa
Lendo Artaud, Rimbaud, Breton

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?

No início dos anos 50
Ele sobrevoava o Laranjal
Num avião construido apenas das lembranças
Do que escrevera na prisão
E decidido a fazer outros, outros e outros
Joquim foi ao Rio de Janeiro
Aos orgãos certos,
Os competentes de coisa nenhuma
Tirar um licença

O sujeito lá
Responsável por essas coisas, lhe disse:
"Está tudo certo, tudo muito bem
O avião é surpreendente, eu já vi
Mas a licença não depende só de mim"
E a coisa assim ficou por vários meses
O grande tolo lambendo o mofo das gravatas
Na luz esquecida das salas de espera
O louco e seu chapéu

Um dia
Alguém lhe mandou um bilhete decisivo
E, claro, não assinou embaixo
"Desiste", estava escrito
"Muitos outros já tentaram
E deram com os burros n'água
É muito dinheiro, muita pressão
Nem Deus conseguiria"
E o louco cansado o gênio humilhado
Voou de volta pra casa

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?

No final de longa crise depressiva
Ele raspou completamente a cabeça
E voltou à velha forma
Com a força triplicada
Por tudo o que passou
Louco, Joquim louco
O louco do chapéu azul
Todos falavam e todos sabiam
Que o cara não se entregava

Deflagrou uma furiosa campanha
De denúncias e protestos
Contra os poderosos
Jogou livros e panfletos do avião
Foi implacável em discursos notáveis
Uma noite incendiaram sua casa
E lhe deram quatro tiros
Do meio da rua ele viu as balas
Chegando lentamente

Os assassinos fugiram num carro
Que como eles nunca se encontrou
Joquim cambaleou ferido alguns instantes
E acabou caído no meio-fio
Ao amigo que veio ajudá-lo, falou:
"Me dê apenas mais um tiro por favor
Olha pra mim, não há nada mais triste
Que um homem morrendo de frio"

Joquim, Joquim
Nau da loucura no mar das idéias
Joquim, Joquim
Quem eram esses canalhas
Que vieram acabar contigo?

____________________________
Bom, já falei de Vítor Ramil por aqui, no começo do ano, sobre o fantástico livro dele 'Satolep'. Pretendo fazer um post comentando mais dele, mas no momento coloco apenas essa música, responsável pela minha grande admiração por ele. A música é gigante, eu sei, e pode parecer muito chata quando se escuta pela primeira vez, ou muitas vezes sem prestar atenção na letra, mas quando tu escuta com atenção cada palavra, tu perecebes o quanto é fantástica a música, pelo menos assim penso eu. A letra é inspirada na vida do inventor gaúcho Joaquim Fonseca e é uma adaptação da música 'Joey' de Bob Dylan (acabo de descobrir isso, vou ir à cata dessa música). Devo dizer que o Vítor Ramil é um dos maiores compositores e músicos gaúchos, incrivelmente genial.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Rápida volta ao tempo

Quando se muda de escola, bairro, cidade ou qualquer outro tipo de mudança, sempre deixamos algo e, certamente, alguém para trás. Por mais esforço que se faça, jamais consegue-se fazer com que as coisas não mudem pra valer, com que tudo permaneça igual. Muda, tudo muda. Uma mudança acarreta outras tantas. Mas, em raras ocasiões, por breves instantes, as coisas parecem voltar ao que eram, de alguma forma.
Hoje, por exemplo, vieram aqui em casa 3 grandes amigas minhas, com as quais tenho mantido um contato há distância (que, por vezes, não é superada mesmo nos encontros) há cerca de 3 anos, quando mudei de escola. Durante esse tempo, elas vinham aqui de vez em quando, saíamos juntas ou, em raras ocasiões, eu ia até a casa delas. Se tu levar em conta que convivemos diariamente durante 4 anos, bom, isso é pouco.
E hoje elas chegaram com uma ideia que, a princípio, achei que era brincadeira, mas depois vi que elas estavam falando sério (de certa maneira). Elas chegaram aqui querendo jogar o 'Jogo da vida', que preencheu muitas das visitas delas aqui em casa, há uns 5 ou 6 anos atrás. Eu raramente me lembrava desse jogo e, tinha quase certeza, que tinha ido pro lixo. Falei isso a elas, mas elas não mudaram de ideia, até se proporam a me ajudar a procurar.
Com um pouco de sorte, encontrei o jogo em um canto, todo sujo de poeira e com a caixa quase em pedaços (faz anos que ela está nesse estado, aliás). Depois de tentar lembrar as regras do jogo, ficamos uma hora em cima dele sem ver o tempo passar, com risadas contagiantes e a emoção de um bando de crianças ao descobrir um novo jogo. Pensando bem, acho que nem na época em que o jogávamos, há anos atrás, ele parecia tão divertido. Ou melhor, talvez eu não o achasse mais divertido, pelo fato de estar cansada dele. Mas hoje, depois de anos, me diverti muito com ele.
Mas acho que o verdadeiro motivo da alegria incontida (que resultava em risadas por vezes escandalosas) era o fato de estarmos ali, juntas, sem preocupações ou conversa fiada. Pelo menos digo isso por mim. É nesses momentos que percebo que, mesmo depois de três anos, elas continuam sendo minhas grandes amigas. Durante esse tempo em que quase não nos falamos, não encontrei nenhuma pessoa que me faça rir simplesmente, sem motivo algum, por motivos idiotas ou não. Ninguém que venha aqui em casa e me faça esquecer de todas as atenções dadas a uma visita, já que tal pessoa não é mais considerada por um mim uma visita. Ninguém que me deixe realmente feliz pela companhia. Resumidamente, esses pequenos momentos que tenho com elas, tais como o de hoje, me fazem lembrar o que é uma amizade de verdade: sem atitudes forçadas e muito menos risos falsos, mas sim a simplicidade de ser quem se é, sem enganações a si mesmo e aos outros, ser livre de preocupações por confiar em alguém que também confia em ti, esquecendo por completo do que os outros pensam, sendo apenas tu mesmo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O esporte é egoísta

Acabei por chegar a essa óbvia (ou talvez não) conclusão enquanto lia 'Retrato de um nadador quando jovem', uma das crônicas de Fernando Sabino. Eis uma parte da crônica: '? Participar de uma disputa a que ninguém no obrigava, despender até o fim e além do fim o que tivéssemos de energia para conquistar alguns décimos de segundo – que ganhávamos com isso? Chegada a nossa vez, caminhávamos para a borda da piscina como condenados para o sacrifício. E no dia seguinte, passada a hora da provação, tudo recomeçava – o esforço minucioso e tenaz para conseguir baixar mais alguns décimos de segundo. Tudo isso para quê? É o que a natação, como esporte, tem de mais trágico: tudo isso para nada.'
E não é só na natação. Pare pra pensar. Todos os esportes fazem com que seus praticantes, profissionais ou amadores, se esforcem cada vez mais, não existe limite, sempre tem o que se melhorar. Mas pra quê? Pra nada. Ou seja, para ser melhor que fulano ou cicrano. Só pra dizer 'Eu ganhei', e de que isso adiantará? Amanhã lá está outra vez querendo se superar.
Peguemos o futebol como exemplo. Ignorando o esforço dos jogadores para melhorar e, consequentemente, aumentar o seu valor no mercado futebolístico, vamos direto às torcidas. De que adianta torcer enlouquecidamente por um time? De que adianta se desesperar por uma derrota e se encher de alegria por uma vitória? Algo vai mudar na tua vida? Não, exceto que o resultado de um jogo acarretará em piadas do arquirival, em caso de derrota, ou piadas para o arquirival, em caso de vitória. Ou seja, pura vaidade e egoísmo.
Quando se vence um campeonato, o torcedor vibra enlouquecidamente, sem importar se é um mundial ou simples estaual. Agora, se o tal arquirival vence, bom, aí a história muda: os adversários foram fáceis, os jogos foram roubados ou o campeonato não tem valor nenhum. Torcida exagerada ou inveja escondida? Que diferença fará você ver ou não um jogo? Reclamar ou não do juiz? Nenhuma, apenas o tornará um bom torcedor, que irá se vangloriar até não poder mais da grande vitória do time e memorizará cada gol feito. Para quê? Apenas para se vangloriar depois.
O desespero sentido num erro de passe e a alegria incontida num gol dentro de um jogo importantíssimo são apenas consequencia da nossa ansia por dizer 'Meu time é o melhor, é campeão!' e tudo mais que, na vida, não fará diferença alguma. Pior são aqueles que perdem o controle de seu próprio fanatismo e acreditam que chutes e socos resolverão alguma coisa. Afinal, qual é o grande problema de perder? Um dia se ganha, no outro se perde. Parece simples, mas nem tanto. Enquanto é fácil e prazeroso rir da derrota alheia, é torturante ouvir os outros debocharem de sua derrota. Ao mesmo tempo que bom, excelente, maravilhoso comemorar uma grande vitória incansavelmente, é ruim, chato, irritante ver alguém comemorando sem parar uma vitória do seu time. Ou seja, egoísmo. Só eu posso rir da derrota alheia e comemorar sem limites uma vitória, os outros, quando fazem tais coisas, estão sendo exibidos e chatos.
Não, não estou aqui criticando isso, já que já tive fases terríveis de torcedora, sendo extrema nas vitórias e nas derrotas do Grêmio. Hoje já estou mais tranquila, mas isso não me impede de ser incrivelmente contra o Inter. Ou melhor, acredito que estou no nivel normal da torcida da dupla GreNal que, pelo que dizem, é a mais disputada. Vejam por exemplo o fim do Brasileirão 2009. Flamengo x Grêmio. Os torcedores de São Paulo, Palmeiras e, especialmente, Inter, torciam pelo Grêmio. Isso aí, os colorados, a muito custo, admitiam que torciam pelo Grêmio. Os gremistas? Em sua grande parte, muitos dos quais não admitiam, torciam por uma derrota do Grêmio. Isso aí: gremistas torciam pro Grêmio perder. Por quê? Porque uma vitória do Grêmio daria o título ao Inter. Como o Grêmio não seria prejudicado por uma derrota, não seria nada mau que o time perdesse e impedisse que os colorados ganhassem o título. Houve boatos de que o próprio time gremista, em combinação com a direção tricolor, entregaria o jogo. O time que foi para o campo era misto e não contava com Vítor, goleiro, e Souza, meia, ambos titulares que nem sequer saíram de Porto Alegre. O Grêmio abriu o placar e, com o andamento do jogo, provou que não entregaria. Eu, como gremista, devo dizer que não fiquei muito feliz com a vitória, que dava o título ao Inter, que também ganhava seu jogo. Mas enfim, a maldição de não ganhar fora de casa, fez com que o Grêmio levasse 2 gols e desse o título ao Flamengo. A derrota foi esquecida pelos gremistas diante da certeza que o Inter não era campeão. E tudo isso pra quê? Egoísmo. Só pra não ter que ver os colorados comemorarem o título que, sem dúvida, comemoraríamos incansavelmente.
É, não apenas o futebol, mas todos os esportes são egoístas. O esporte está sempre atrás da vitória, ou da derrota alheia, apenas para poder comemorar e esquecer, por momentos, de todos os problemas existentes, como se a vitória transformasse o mundo. Mas não. No dia seguinte tudo inicia de novo. Treinos para os esportistas melhorarem, trabalho para os torcedores sustentarem seu vício egoísta e inútil.
___________________________
Uau, sumi daqui por quase uma semana. E dessa vez não foi intencional, muito pelo contrário. Pra não ficar mais um dia sumida, tive que encontrar um assunto para escrever e não simplesmente usar um post quebra-galho (com música ou qualquer coisa rápida de se fazer). A bem da verdade, faz umas duas semanas que não tenho tempo pra escrever algo útil aqui e, muito menos, pra me manter atualizada dos blogs que acompanho. Realmente, me desculpem, quem sabe uma hora dessas eu consiga me redimir...

Até um dia, pessoas...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Muros e grades - Engenheiros do Hawaii

Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia
O medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentid

Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre as sombras, entre as sobras da nossa escassez
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre cobras, entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades de um país tão irreal
Os muros e as grades nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo pra descobrir
Que não é por aí... não é por nada não
Não, não pode ser... é claro que não é, será?

Meninos de rua, delírios de ruínas
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear

Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como tentar o suicídio ou amar uma mulher
Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder

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